Olá, seja bem-vindo!
Acesse o Instituto Jesley Alves

Porque as benzedeiras não cobravam?

As benzedeiras surgiram como as primeiras médicas do povo, preenchendo um vazio assistencial em um país imenso e sem acesso à saúde formal.

 

  • A Origem: O Triângulo Cultural do Brasil.

     O ofício do benzimento nasceu no período colonial a partir da fusão de três matrizes culturais:

  • Saberes Indígenas: O profundo conhecimento botânico sobre o uso medicinal e espiritual de plantas, raízes e folhas nativas.
  • Tradições Africanas: A cosmovisão cosmológica do cuidado, a manipulação energética e rituais de limpeza trazidos pelos povos escravizados.
  • Catolicismo Popular Europeu: Orações trazidas pelos colonizadores portugueses (como o Pai Nosso e a Ave Maria), além da forte devoção aos santos.

    Desse caldeirão cultural brotou o sincretismo religioso. Embora a maioria se declarasse católica, os altares domésticos uniam cruzes a elementos ancestrais da natureza.

  • As “Médicas do Povo” contra a Perseguição

     Durante os séculos XVIII e XIX, o Brasil colonial e imperial quase não tinha médicos diplomados. Quem cuidava da população pobre, rural, negra ou indígena eram as benzedeiras, curandeiras e parteiras. Elas tratavam o corpo e o espírito como uma coisa só.

     No entanto, essa liderança feminina incomodava as estruturas de poder:
  • Perseguição Religiosa: A Igreja Católica e, posteriormente, o Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) viam essas práticas com desconfiança, rotulando os rituais que fugiam do dogma estrito como heresia ou feitiçaria.
  • Perseguição Científica: Com a chegada do século XX e a modernização da medicina, o Código Penal brasileiro passou a criminalizar o “curandeirismo”, empurrando o ofício das benzedeiras para a clandestinidade e o preconceito.
 

     Apesar de tudo, elas resistiram porque a comunidade as protegia e dependia do seu acolhimento gratuito. As benzedeiras não cobravam pelos benzimentos devido a um profundo compromisso ético e espiritual, fundamentado na crença de que o dom da cura pertence a Deus, e não ao indivíduo. 

  • A Lei do “De Graça Recebestes, De Graça Dai”

     A grande maioria das benzedeiras antigas baseava sua prática em preceitos cristãos e evangélicos do catolicismo popular. Elas acreditavam piamente que, se receberam o dom de benzer gratuitamente do plano espiritual, utilizá-lo para enriquecimento ou ganho financeiro seria uma forma de vaidade e pecado.

 

  • O Risco de “Perder o Dom”

     Existia um medo real e compartilhado entre essas mulheres de que, se cobrassem um valor fixo pelo atendimento, a reza perderia o seu efeito e a força espiritual da cura seria retirada delas. A gratuidade era vista como uma blindagem necessária para manter a pureza do canal energético.

 

  • Economia da Reciprocidade (A Troca Solidária)

     Embora não houvesse cobrança de dinheiro, a comunidade nunca as deixava desamparadas. Operava-se um sistema comunitário de trocas e agradecimentos:
  • Quem ia se benzer costumava levar alimentos (um bolo, ovos caipiras, um pedaço de queijo).
  • Outros retribuíam com trabalho (ajudando a carpir o quintal, consertar algo na casa ou colher lenha).
  • Em muitos casos, as pessoas deixavam velas ou novos galhos de ervas para que a benzedeira pudesse continuar atendendo os próximos necessitados.
 

  • O Benzimento como Missão Comunitária

   O benzimento era visto como uma extensão da maternidade, da vizinhança e do cuidado coletivo. Cobrar por uma reza em uma comunidade rural pobre seria o equivalente a cobrar para ajudar um vizinho em apuros, algo que ia contra os valores de solidariedade dessas populações.
 
 

  • Porque atualmente algumas benzedeiras cobram?

     O perfil da benzedeira que vive no campo, planta o próprio alimento e tem uma rede comunitária de troca de favores já não é a única realidade. Hoje, muitas vivem nas grandes cidades e enfrentam os mesmos custos de vida que qualquer pessoa. Essa é uma mudança muito importante no cenário atual e reflete as novas realidades sociais, econômicas e urbanas em que as benzedeiras modernas estão inseridas.

     O modelo atual mudou por conta de fatores fundamentais:

 

  • A Urbanização e a Perda da “Economia de Troca”

     Nas grandes cidades, o sistema de trocar a reza por uma galinha, ovos ou ajuda no quintal não funciona mais. As benzedeiras urbanas precisam pagar aluguel, água, luz e transporte. Cobrar pelo atendimento, ou estipular uma contribuição consciente, tornou-se uma necessidade básica de subsistência.

 

  • Tempo de Dedicação Exclusiva

     Muitas benzedeiras contemporâneas transformaram o acolhimento espiritual em sua atividade principal. Elas dedicam horas do dia para atender o público, o que as impede de ter um emprego formal de oito horas. O valor cobrado funciona como a remuneração por esse tempo de trabalho e dedicação.
 

  • Custo dos Insumos

     Antigamente, as ervas eram colhidas no próprio quintal ou na mata ao lado. Hoje, para conseguir arruda, guiné, velas, incensos e óleos essenciais na cidade, é preciso comprar esses materiais em feiras ou lojas de artigos religiosos. A cobrança ajuda a manter o estoque desses insumos para os rituais.

 

  • Profissionalização e Terapias Integrativas

     O benzimento tem sido frequentemente integrado ao circuito das terapias holísticas e integrativas (junto com o Reiki, a fitoenergética e a radiestesia). Mulheres que estudam e se capacitam nessas áreas enxergam o benzimento como um serviço de saúde integrativa que, como qualquer outra terapia, gera custos de formação e espaço físico.
 

  • Contribuição Consciente ou Valor Fixo?

     Mesmo com a mudança, muitas ainda tentam equilibrar a tradição com a sobrevivência através de dois formatos:
    • Contribuição Sugerida / Consciente
      Não há um preço fixo; a pessoa deixa o valor que pode pagar e que considera justo pelo tempo dedicado.
    • Valor Social: Um preço fixo acessível, estipulado apenas para cobrir os custos dos materiais e manter o espaço aberto.

benzimento-benzedeira-rezas

Clique no link abaixo para adquirir a Apostila Completa de Benzimentos:

https://go.hotmart.com/Y106645947T?dp=1

Respostas de 3

  1. Que informações incríveis! Minha família já teve benzedeiras como minha bisavó, já fiz algumas benzedeiras que ajudaram minha namorada e a cachorrinha dela a dormirem melhor! Vou comprar o e-book pra aprender mais, pois sou leigo nessas práticas!
    Já vi vídeos de dois padres, um catequista e um apologeta católicos condenado a pratica das benzedeiras pois pra eles só os sacerdotes da igreja que podem benzer, não duvido que os cristãos ortodoxos orientais e protestantes/ evangélicos condenem também!
    Também já vi espiritualistas dizerem que as benzedeiras não tinham um amparo energético muito bom por se doarem muito em suas práticas ou algo mais ou menos assim, peço perdão por não dizer a o que os espiritualistas de forma precisa!

    Uma sugestão de vídeo sobre a visão da Tradição Bakongo sobre as as terapias integrativas e a questão do projeto de lei que pretende proibir essas práticas?

    1. A parte da devoção aos Santos me fez lembrar que em um vídeo do mestre Jesley, ele comentou sobre fazer Makumba pra santo e me lembrei de vídeo de sacerdotes que fizeram vídeos fazendo práticas em relação ao que tal santo representa ou algo ligadoa história do santo, exemplo Makumba Santo de santo Onofre para fazer pessoa para de beber ( essa eu já fiz, que um parente saise do álcolismo, até comprei a imagem como o vídeo pede kk) ou o de santo Antônio para ter um casamento ou amarrar alguém!
      Seria interessante o mestre fazer um vídeo, uma matéria no blog, e-book ou um curso sobre!
      Agradeço pelos conhecimentos que tenho adquirido com o blog

  2. Achei a parte da Perda do Dom muito interessante, isso me fez lembrar que o Allan Kardec escreveu algo sobre o bloqueio da mediunidade! Uma sugestão de vídeos ou matéria para o blog seria: Bloqueio de dons espirituais e mediunidade na tradição Bakongo e fazendo um comparativo com o que o Kardec ou outros escritores do movimento espírita brasileiro como Chico e Divaldo! Seria maneiro algo assim
    Outro bom tema bom seria dons espirituais na Tradição Bakongo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe:

Mais posts

O maior segredo do Baralho Cigano!

O oráculo surge como um facilitador prático, rápido e seguro para que a Entidade traga sua mensagem com o mínimo de desgaste energético para o médium.

Entre em contato

Baixe o eBook "Banhos de Ervas para Diversos Fins" e comece sua jornada com a ancestralidade e a espiritualidade